Vira e mexe eu paro para organizar meu trabalho, minhas ideias e minhas prioridades. Como profissional autônoma e empreendedora, atuo em muitas frentes ao mesmo tempo então a organização constante de atividades e prioridades se fazem necessárias. Estes momentos costumam vir acompanhados de uma energia boa, daquelas que ajudam a sair do lugar e me fazem avançar em direção aos meus objetivos e sonhos.

Hoje, no entanto, percebi uma ansiedade beeem chata, já conhecida. Não é a primeira vez que sinto esse frio na barriga seguido de paralisia. Mas, desta vez, ao senti-la, consegui parar e prestar atenção no que ela estava tentando me contar.

Contexto que me encontrava:

- Motivada com meus planos.
- Prioridades organizadas.
- Atividades simples em execução. 
- Pessoas de apoio acionadas e com os retornos que esperava.

No momento seguinte, me vi exatamente naquele ponto entre o “planejei, organizei… agora é fazer”. Paralizei!

* Palpitação
* Leve falta de ar

* Congelei - a mente parou 

Minha vontade foi sair correndo. O que chamo de "sair correndo”?

Comecei a cavocar outros projetos para organizar e executar. Me percebi querendo focar em outras coisas que também estão por fazer. Uma outra ideia. Um outro serviço. Uma nova parceria quem sabe? Alguém me tira daqui... Já sei, vou comprar algumas coisas que preciso muito, juro, não da pra esperar — as compras me distraem, consomem minha atenção e, às vezes, até o dinheiro que já tinha endereço certo. Aí pronto: não consigo executar esta ação porque, poxa… acabou o dinheiro. Que tal comer? Isso, estou com fome.  Deixa eu silenciar essa ansiedade em doces, fast food.... Ótimo, assim posso entrar no meu conhecido looping: “preciso emagrecer”, “deveria estar investindo nisso”, “acho que meu dinheiro devia ir pra isso e não praquilo”… e por aí vai.

Devaneios e fugas a parte, minha mente conseguiu voltar na ansiedade e dei uma chance de escutá-la. Ela estava falando do medo de seguir em frente e, de fato, realizar meu projeto. Ela sinalizou uma série de questões que dou pouca atenção:

Consegui divulgar mais esse trabalho e então, o que vem depois?
E se der certo — vou ter que continuar nessa atividade.
E se não me contratarem?
E se eu não der conta?
E se eu errar ou não gostarem do que fiz?
E se eu não for boa o suficiente?

A ansiedade escancarou inseguranças antigas e, junto com elas, veio um repertório inteiro de boicotes já bem conhecidos.

Urgh… como é difícil ter coragem, né?

Confesso que, nesses momentos, até entendo aquelas mensagens clichês de coaches de araque. Sabe a frase que vem automática e genérica? “Confie em você, vai lá e faça”. Bliblibli…

Clichês à parte, hoje eu decidi não me dar muitas escolhas.

Vou seguir fazendo.
Vou buscar ajuda onde ainda me sinto muito insegura.
Vou me fortalecer nos lugares que ainda estão frágeis.
E vou focar no plano que passei tanto tempo construindo — sem acrescentar mais coisas que só potencializam meus medos e desviam ainda mais minha atenção.

Ao escrever esse texto, minha vontade é detalhar ainda mais o que estava fazendo e planejando, para que entendessem o que exatamente disparou minha ansiedade mas, não quero abarrotar ainda mais esse texto, deixando assim uma mensagem mais aberta, caso faça sentido pra você também, naquilo que você vive por ai.

Fica o convite:


Observe o que a sua ansiedade está tentando te contar sobre você. Dialogue com ela. Negocie. Não ceda, seja maior que ela.


E, se precisar, peça ajuda — seja de amigos, seja de profissionais que te acompanhem nesse diálogo, seja com uma meditação ou exercício físico que tragam sua respiração de volta ao normal. O erro dá medo, o acerto também! É natural. eu consigo, você também!


Com medo e carinho,

Psi Tamiris